A senhora não pinta os cabelos, mas colore a manhã com seu sorriso meigo. A morena anda rebolativa. Reconheço e ignoro, é a menina de um amigo.O deputado na camiseta velha do meia-idade que faz cooper, já desvanecido pelo tempo, praticamente se afoga. Tão cedo e já faz calor.O motorista ouve rock oitentista, as janelas do ônibus atrapalhadas com o baterista do rádio chiado. A estudante sorri para tudo, dando graça a viajem. A distância de um banco para o outro é superada pelo torcer de pescoços do jovem casal. Eu tenho até uma boa leitura na mochila, mas foco nos relógios lá na rua. Estou com sono. Se dormisse, queria sonhar em poder girar tudo ao contrário. Seria o DJ do cotidiano. O casal perderia a hora esticando o tempo na cama, a senhora comeria outra torrada, a estudante teria biquini por baixo do uniforme. Ônibus sem combustível, motorista com fone de ouvido. Eu gostaria de ver como não é, gostaria de não ter destino, hora pra chegar. Será que mais alguém nesse ônibus gostaria?O revolucionário da rotina puxa a campainha no mesmo lugar de todos os dias e desce. Apenas mais um, em mais uma pista de dança.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
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Um comentário:
É bem verdade que o dia seria mais animado e interessante se fosse ao contrário; sem preocupações com chefe, pontualidade, provas...
Todavia, o que dá graça a vida e ao dia-a-dia, é essa rotina a qual todos nós queremos deixa um pouco de lado.
Sinto falta da época em que a rotina não fazia parte da minha vida como agora. Parecia que os dias eram mais longos na ausência dela. Agora, os anos passam quase que desapercebidos.
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