sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Eu vi o Iranildo!

Muitas vezes as palavras são levadas pelo o que acontece no dia.
Hoje, estou escrevendo antes mesmo que algo forte o suficiente para carregar palavras aconteça.
Tem dias que realmente nada acontece mesmo e a gente vai puxar lá no passado um carregador de letras, um condutor de coisas interessantes.
Não escrevo o silêncio, a quebra no tempo, mas entre essa linha e a anterior olhei pra baixo como quem queria olhar pra trás, caçar um empurrão e vi a confusão de letras que é o teclado.
Me dei conta de dois dispositivos ramificados que fixos em cima do grupo de teclas move tentáculos que fazem leve pressão em cima de cada delas fazendo letras se entrelaçarem na tela da maneira desejada.
Falando de uma maneira mais humana, isso sou eu escrevendo, mãos digitando no teclado, mas por um momento me senti um robô. Não daqueles fofos como a empregada dos Jetsons, mas daqueles reais, funcionais.
Se for parar pra pensar que as letras geram impulsos, que geram dados, que do editor de texto vai para uma página acessível a uma grande rede mundial...
Parei de pensar.
Manhã de sexta-feira. Lá o sol. Aqui a máquina de fazer frio. Que nem ontem. A máquina de café descruza as pernas me olhando nos olhos, passo por ela e bebo água gelada.
Manhã de sexta-feira, que nem começou e, acho eu, não quer começar.

Que Deus abençoe o calendário, que foi inventado para dividir algo que não existe.

3 comentários:

macoaz disse...

coisas da rotina....faz pensar.

Anônimo disse...

Tem dias que duram quase que uma eternidade para passar; são esses os quais queremos que passem o mais rápido possível.

Unknown disse...

metalingüisticamente poético! se saiu muito bem mesmo quando a falta de tema parece um problema. na verdade, só parece. ando com problemas pra escrever. isso é muito angustiante, principalmente, quando se tem sobre o que falar. beijos.

obs.: vc me prometeu um post! rs.