Essa semana, Bruno Berriene me alertou para um fato interessante. Não que eu estivesse esquecido, mas se recordar é viver, relembrar junto é quase reviver aqueles dias.
Em 16 de Outubro de 2005, a Midnight fazia o seu show de estréia. Na noite de domingo em que se comemorava também o aniversário do guitarrista que vos escreve, rolaram clássicos do Iron Maiden. A platéia, formada basicamente por nossos pais, amigos, pinguços, amigos pinguços e, por que não dizer, pais pinguços, assistiu Doni, Léo, Kiko, Bruno e Karyta fazendo uma apresentação que, se não foi tecnicamente boa, compensou com emoção e sinceridade.
Entre idas e vindas e trocas de integrantes, a Midnight hoje não existe mais. Mas eu aposto que os que viveram aqueles dias com a banda jamais vão esquecer!
Olhando para trás, posso dizer que aquilo sim foi Rock n` Roll. E que se eu fosse listar todas as lições de vida que a Midnight me trouxe, levaria o tempo de toda a vida que me resta.
Era comum ouvir o termo Família Midnight. A banda era uma celebração da amizade. Éramos realmente como uma família. Cinco irmãos que se gostavam, brigavam entre si e mais todo o tipo de relação que se encontra em uma família.
E como toda família, tinha agregados barulhentos e fantásticos. Não dá pra negar que a energia deles estava contida na música, o que torna redundante falar que eles faziam parte diretamente. Mesmo sem instrumentos, estavam contidos em cada nota.
A Midnight acabou justamente quando tentou ser menos do que era. Sim, eu disse menos.
Tentamos transformar uma família em um grupo musical e hoje eu penso que isso é uma involução.
Fechamos os ensaios para os agregados, cobramos de si próprio e uns aos outros sermos melhores músicos, profissionais. Pela primeira vez na vida eu tentei ser frio e racional, tentei não me importar com o que os outros iam sentir. Isso ia totalmente de encontro à minha natureza e eu estava despreparado.
Sobrou para o Doni. O tempo mostrou que não por ele ser o menos músico (tanto que dos cinco é hoje o mais ativo), mas por ser o mais família.
Nós acreditamos que seria possível continuar sem ele, mas o desânimo foi implacável. Qualquer motivo era um bom motivo para não ensaiar, até chegarmos à inércia total.
Tempo depois, o próprio Doni sugeriu retomar as atividades. Passada a euforia do começo, notamos que tínhamos problemas e caímos no mesmo erro. A Karyta alegou não ter o tempo que o “profissionalismo” pregado pela banda exigia e saiu. No seu lugar entrou o Isaac, grande músico e pessoa. Depois de dois shows no Farol da Ilha e da inesperada saída do Isaac, a Midnight foi desvanecendo aos poucos, sem que nós mesmos notássemos. Apesar da trajetória tão curta, tanto aconteceu que eu acredito que daria um bom livro ou filme (cogitam Brad Pitt pro papel de Léo Meirelles).
O que eu posso dizer pra ilustrar isso tudo é algo que apenas um dos integrantes, a Karyta, testemunhou e não disse a ninguém e que compartilho aqui com vocês.
Poucos dias antes do Doni sugerir a volta da Midnight, acordei certa manhã de domingo. Me dei conta de que não seria como aqueles domingos. Ser acordado pelo Rafinha, o mau-humor matinal do Bruno, o “senta na boneca” no rádio do Seu Bismarck, a dedicação do Kiko, o Doni lembrando que o domingo continuaria depois do ensaio, o “Duas Horas, hein!”, a Karyta olhando de rabo-de-olho pra minha mão esquerda. Nada disso. Junto com a ficha, caíram as primeiras lágrimas, que viraram depois um pranto intenso, inconsolável. Entrei debaixo do chuveiro e ali chorei por um bom tempo, abafado pelo som da água tocando o chão, conduzindo as lágrimas ralo abaixo. Chorei de saudade.
Eu realmente acredito que família é essencial. E a todos que fizeram parte da família Midnight, meu eterno amor e gratidão.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Família Midnight
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8 comentários:
Buuuuaaahh !!!!
Saudades eternas..............do meu cabelãããooo !!!!! Aaahhh :'(
Mas sim, realmente a Midnight mudou bastante a forma de nós, " agregados " , olharmos o Rock...
Saudades imensas de chapar com o Sr. Mijado, vulgo - Pai do Kiko.... do Doni imitando a Gralha, do Bruno e seus agudos qeu eu sempre fazia questão de por minha orelha minúscula (By Chernobyl)ao lado da caixa de som pra ter dor de cabeça, do Kiko e seus dedos nervosos, do Isaac e da Karyta...2 putos de um baixista ! E do Léo....( shiiiiooooiuuuuu [barulho dakele montinho de palha passando com o vento...) )
Enfim, tenho de certeza que agora voc~es estãomais profissionais...e não agüento mais esperar pra ver essa nova fase de vocês ( ou quase todos ^^ )
P.S: Por que eu estou postando como Pingu! O Pingüim. ?!
AI)Haaha0aaaa8ay0a8gA)*AAtta
Lembrei, eu tava fazendo parte de um blog também : inutilidadepública ! Ai meu nick era esse jsaisiajjsasa
Mas quem vos fala é o Rafinha, Nakata, Bizarrão, Rachinha... ... ...
Terminei agora de ler....sinceramente, parabéns, cara!
Me vi caindo em lágrimas agora, um momento de nostalgia e emoção que não tem como explicar!
E eu vou dizer mais uma vez, como disse ao kiko....essa família não pode deixar de existir!!
E se for pra fazer de tudo por isso, assino em baixo!
Esse relato, com certeza, emocionou todos aqueles que, de uma forma ou de outra, fizeram parte da família Midnight, seja tocando ou apenas dando força (o que é tão importante quanto tirar o som própriamente dito). Realmente aqueles momentos foram muito especiais, e não há como negar que além do Léo, que eu já conhecia ha muitos anos, Isaac e, principalmente, Doni, Karyta e Kiko vão estar eternamente gravados no meu coração, com muito carinho, aconteça o que acontecer. Hoje já são meus irmãos mesmo. Daqui a 20 anos, quando eu estiver tocando em algum grande palco pelo mundo, ou ralando a bunda num escritório qualquer por aí, ou mesmo carregando caixas em um supermercado da baixada ou da zona oeste, vou sempre me lembrar daquele 16/10/2005, onde 5 pessoas tocaram para lembrar que, ás vezes, uma banda de rock pode tirar mais som dos corações de seus integrantes do que dos seus instrumentos musicais. AMO TODOS DA FAMILIA MIDNIGHT.
=****
Cara, acho q ja disseram tudo... fico feliz por saber seu ponto de vista e por ter coragem de expressa-lo a todos, mesmo q pela internete...
Abraços e sorte pra vc!!!
Porra, eu vou chorar denovo!!
Bruno, faço suas, as minhas palavras...não tem como negar o quão todos foram importantes....
É, de certa forma eu cheguei a fazer parte desse grupo e me lembro de algumas coisas, inclusive eu também estava no primeiro show junto com todos os amigos, pais, pinguços, amigos pinguços e pais pinguços.
Mais uma vez, sucesso pra todos vocês!
Com relação ao post anterior cara, faça o que você gosta, independente do retorno... as coisas acontecem naturalmente!
Hoje eu trabalho com o que gosto. Meu salário não é um dos melhores, não sou famoso e nem tenho um trabalho extraordinario, mas me sinto bem gastando 8hs do meu dia fazendo o que gosto e quando alguem reconhece isso já vale a pena, seja pagando bem ou não (contanto que pague! rs)
abração!
Bem... sem querer querendo achei o blog... confesso que fiquei "com o pé atrás" em abrir... mas digamos que a curiosidade foi maior... e me deparo com o que... uma total seção nostalgica... eu não tenho palavras pra descrever o que a Midnight e principalmente o Kiko, o Bruno, o Doni e o Léo fizeram pela minha pessoa nessa época... pela alegria que era tocar com eles... apesar de alguns estresses, algumas discordias... era divertido e ponto... e isso era o que importava... quando saí confesso que fiquei profundamente triste... mas sinceramente se não iria ter diversão não compenssava... com "migo" ou sem "migo"... espero que todos façam o possível e o impossível para serem felizes... e independente de tudo... a Midnight e os "agregados" sempre terão um lugar no meu coração... abraços pra todos... e é sempre bom relembrar as coisas boas a vida...
abraços...
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